Carta do XXXIX Seminário Nacional do FONACRIAD
Salvador (BA), 05 de dezembro de 2008.
Os gestores governamentais de vinte e cinco (25) Sistemas Estaduais de
Atendimento Socioeducativo, reunidos em Salvador, Bahia, de 03 a 05 de dezembro de
2fi)8, durante o XXXD( Seminário Nacional do FONACRIAD, onde se refletiu sobre o
Projeto Político Pedagógico, a Municipalização das Medidas Socioeducativas em Meio
Aberto e a função do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social); Comissão
intersetorial para implementação e monitoramento do SINASE(Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo); Projeto de l*i 1627; os avanços, saberes e conhecimentos
das diferentes gestões estaduais do sistema socioeducativo; vem a público manifestar-se e apresentar seus posicionamentos e reivindicações que seguem:
1. Alerta para incoerências na proposta do Projeto de Lei 1.627, considerando que o atual projeto interfere demasiadamente nas ações técnicas e propõe a
"judicialização" da execução das medidas socioeducativas, inviabilizando,
restringindo e subordinando os encaminhamentos técnicos e ações executivas, além
de não especificar e não detalhar ações relacionadas as medidas socioeducativas
em meio aberto.
2. Reafirma e divulga proposta de ajustes no Projeto de Lel1.627,. construída a partir
de reuniões nos Estados e consolidado em reunião técnica do FONACRIAD em
Brasília (Anexo I).
3. Necessidade de reforçar e pautar os Conselhos de Direitos quanto a prioridade de
financiamento dos Fundos da Infância(FlAs) as ações voltas ao atendimento
socioeducativo, considerando o Art. 90 do Estatuto que descreve os programas de
proteção e socioeducativos, sendo esses programas o primeiro nível de prioridade
para garantir uma retaguarda de atendimento mínimo.
4. Que o FONACRIAD esteja presente e participe da construção do "Guia de
Municipalização das Medidas Socioeducativas" que hoje é pautado pela SEDH,
UNICEF, MDS e outros
5. Necessidade de diálogo, aproximação e articulação entre o FONACRIAD, o MDS,
o CONGEMAS e o FONSEAS, em especial para discussões acerca da
municipalização das medidas socioeducativas em meio aberto, sugere-se assim
agenda com o Ministro do Desenvolvimento Social, além da disposição do
FONACRIAD de estar presente nas próximas reuniões e ou encontros do
CONGEMAS e do FONSEAS
6. . Necessidade de discussão por parte do Governo Federal com o FONACRIAD
acerca das linhas de financiamento da política de atendimento para que se traduza
em recursos orçamentários, considerando a prioridade do orçamento para o atendimento socioeducativo.
7. Acorda e ratifica o compromisso de ações propostas pela SEDH enquanto um
"Pacto Federativo Mínimo", sendo as ações prioritárias:
- Acompanhamento e atuação pela aprovação do PL 1.627, com a preocupação de
que a intenção de instituir o SINASE não se perca.
- Apresentação nos Estados dos Planos Estaduais de implementação do SINASE
com a articulação com as políticas públicas.
- Compromisso da SEDHISPDCA em analisar estado por estado no co-financiamento de ações estratégicas pata a implementação do SINASE, com a
necessidade de um relatório de implementação do SINASE (triênio).
- Compromisso de criação de comissões intersetoriais de implementação do
SINASE.
- Compromisso dos Sistemas Estaduais para a implantação de Sistemas de
Informação do Atendimento Socioeducativo.
8. Solicita a compreensão do CONANDA quanto ao papel e atribuições do
FONACRIAD e a disposição quanto a construção de diálogo e aproximação tendo
em vista o papel de ambos na Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes.
9. Reitera os itens 6,7,8,9 e l0 e 11 da Carta de Brasília, resultado do XXXVII
Seminário Nacional do FONACRIAD que seguem:
"6. Necessidade de reforçar a previsão e execução orçamentária nos
políticas públicas de segurança, educação, saúde, assistência social,
cultura, esporte e lazer, para dar suporte a implementação do SINASE.
7. Urgência em desenvolver um Sistema Nacional de Informação,
eficiente e abrangente, de todas as instâncias da área socioeducativa,
que permita a coleta e análise de dados com profundidade capaz de
expressar a realidade, com suas circunstâncias e intervenientes,
oferecendo diagnósticos confiáveis e perspectivas concretas na
construção de planejamentos estratégicos de reordenamentos dos
sistemas estaduais e do Distrito Federal.
8. Previsão e inclusão orçamentária e efetiva participação financeira das três esferas administrativas em investimentos na
construção, reforma, adaptação das estruturas físicas e programas de
atendimento de meios fechado e aberto, contemplando as necessidades
de todas as regiões, considerando defasagens e demandas reais.
9. Necessidade de Políticos de Governo e de Estado que promovam a
articulação entre Sistemas Estaduais de Saúde, Educação, Assistência
Social, Trabalho e Renda, Habitação que atendam efetivamente as
famílias em situação de vulnerabilidade e adolescentes egressos do
sistema socioeducativo.
10. Necessidade de ações mais efetivas e eficientes, dentro da
Política Pública de Saúde com foco na prevenção e tratamento da
drogadição e todos os tipos de dependência química, incluindo
alcoolismo.
ll. Necessidade de ações mais efetivas e eficientes dentro da
Política Pública de Educação, com foco na prevenção à evasão escolar
e reinclusão dos evadidos, com propostas pedagógicas inovadoras,
acolhedoras, promotoras de concreto sucesso no aprendizado do ser, do
fa1er, do conhecer e do conviver. Desenvolvimento de metodologias de
ensino adequadas aos programas de atendimento socioeducativo em todas as medidas."
10. Reitera o posicionamento e encaminhamentos da Reunião Técnica de Belo
Horizonte de agosto de 2008:
l. Encontro entre o FONACRIAD e FONSEAS para a construção
de agenda imediata e prática de integração dos estados e
municípios quanto aos procedimentos de municipalização e o
alinhamento conceitual sobre o SINÁSE e SUAS.
2. Recomendar ao MDS que seja incluído no financiamento da
municipalização outros critérios além do populacional, tais
como: indicadores de violência contra crianças e adolescentes;
número de apreensões de adolescentes; procedência dos
municípios na medida de internação:
3. Que as equipes do Sistema sócio-educativo de programas meio
aberto, sejam específicas para esse atendimento:
4. Que os programas municipais de meio aberto informem ao
sistema estadual de atendimento sócío-educativo os dados sobre
a liberdade assistida e prestação de serviço à comunidade
5. Trabalhar pelo foco de Independência e organicidade do
sistema sócio-educativo- SINASB garantindo essencialmente:
- Reforço às coordenações do sistema sócio-educativo, tratando-as como referências na política de atenção ao adolescente em
conflito com a lei, nas diferentes esferas de governo, sendo no
governo federal a Secretaria Especial de Direitos Humanos, nos
estados os gestores estaduais (independente da estrutura a que
esteja vinculado) e nos municípios o gestor municipal
(independente da estrutura a que esteja vinculado) com
ampliação das equipes e das respectivas estruturas
organizacionais, buscando um ' 'comando único funcional ";
- Respeito às estruturas do sistema sócio-educativo ligado ao
sistema de garantia de direitos das crianças e adolescentes com
seus respectivos conselhos de direitos nacional, estaduais e
municipais.
- Sistematização de dados e informações sobre as medidas socioeducativas pelos gestores do sistema;
- Garantia da constituição e funcionamento de comissões intersetoriais na condução do sistema sócio-educativo nas três
esferas de governo:
- Criação de guia, protocolos, regulamentações e/ou orientações,
sob coordenação do SEDH e participação dos gestores socioeducativos nas três esferas, com critérios essenciais para
aplicação das medidas socioeducativas do meio fechado e meio
aberto."
11. Compreendendo como "Comando Único Funcional" o respeito as definições
Estaduais e Municipais quanto ao comando da Política de Atendimento ao
adolescente em conflito com a lei, com efetiva comunicação entre as Três Esferas
de Governo, considerando a intersetorialidade e a complexidade do atendimento.
12. Lamenta a ausência do CONANDA e do FONSEAS no XXXIX Seminário
Nacional do FONACRIAD, tendo em vista a necessidade de se construir um
diálogo.
Assinam todos os gestores dos Sistemas Socioeducativos dos Estados da Federação e do
Distrito Federal.
l. Acre
2. Alagoas
3. Amapá
4. Amazonas
5. Bahia
6. Ceará
7. Distrito Federal
8. Espírito Santo
9. Goiás
10. Maranhão
I l. Mato Grosso
12. Mato Grosso do Sul
13. Minas Gerais
l4.Pará
15. Paraíba
16. Paraná
17. Pernambuco
18. Piauí
19. São Paulo
20. Santa Catarina
21. Sergipe
22. Rondônia
23. Roraima
24. Rio de Janeiro
25, Rio Grande do Norte
26. Rio Grande do Sul
27. Tocantins